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Arquivos da categoria: Boas práticas

Precisamos falar sobre Verônica

Por Fabiano Cameran

Entre as inúmeras surpresas que a segunda edição do Encontro de Leitura Inclusiva de Sergipe nos trouxe, umas das mais marcantes, certamente, foi a história de Maria Verônica Esteves, nascida na cidade de Boquim, localizada cerca de 84 km de Aracaju. Com um astral contagiante e uma alegria que erradia a todos a sua volta, Verônica, 62 anos, dá aula de força de vontade e mostra através de seu testemunho que nunca é tarde para aprender a ler e a vencer as barreiras (mesmo físicas) impostas pela vida.

Verônica nasceu com uma deficiência visual, em sua cidade os recursos eram escassos e até mesmo viajar para a capital sergipana era uma empreitada complexa para uma família que lidava com a roça em meio ao sertão nordestino, as barreiras faziam com que a cada dia a expectativa de enxergar o mundo fosse mais remota para a jovem, alguns médicos diziam que a única esperança  estava localizada a muitos quilômetros, mais precisamente em São Paulo, e nenhum tratamento existente na época garantiria a sua cura.

De família católica, Verônica teve seu primeiro contato a um ensino ainda em sua infância através da catequese, onde absorvia todo o conteúdo passado por sua catequista através de uma atenta escuta de tudo o que era dito. Mas por lidar desde cedo com o trabalho do campo Verônica nunca teve oportunidade de estudar, mesmo que tivesse não haviam escolas com estrutura para a receberem, uma vez que os professores além de não terem preparo não tinham também materiais em acessíveis.

Da infância, a adolescência e tão logo Verônica já era uma mulher, guerreira e trabalhadora mas sem ter acesso a informação e tão pouco a educação, a cura de sua deficiência era ainda mais difícil. Certo dia, após uma consulta um médico falou para sua mãe que não havia mais o que ser feito pela medicina local, mais uma vez a solução se mostrava presente em São Paulo, mas as chances de cura eram de no máximo 10% e ainda assim a visão seria parcial. Foi então que Verônica disse a sua mãe que não queria correr mais atrás de tratamentos para seu problema, uma vez que ela veio ao mundo assim então aceitava aquilo como seu destino.

O tempo passou, Verônica era sempre rodeada por amigos e familiares sempre dispostos a ajudarem quando ela precisasse, mas ainda lhe faltava algo, e aquilo que lhe faltava por mais incrível que pudesse parecer não era a sua visão, mas sim a oportunidade de conhecer o mundo mesmo que de maneira lúdica através da leitura. Foi então que ela conheceu uma senhora evangélica, que a estimulou a aprender a ler pois nunca era tarde para o Saber. Essa senhora então, mesmo sem também saber ler em braile, conseguiu algumas cartilhas que ensinavam o alfabeto braile e juntas elas aprenderam a decorar cada uma das letras, aos poucos a então professora de Verônica conseguiu alguns livros religiosos em braile e aos 54 anos Verônica aprendia então a ler em braile e a enxergar o novo através da literatura.

Até hoje, aos 62 anos, Verônica só teve acesso a literaturas religiosas ou infantis, mas graças a Coleção Regionais, da Rede de Leitura Inclusiva, ela com seu jeito simples e carisma encantador terá na biblioteca de sua pequena cidade (Biblioteca Pública Municipal Hermes) mais uma infinidade de histórias e a cada folhear seus olhos se abrirão, mesmo que lúdica e fantasiosamente, para novas histórias e aventuras. Através da semana de Leitura Inclusiva, Maria Verônica ganhou também uma bolsa para aprender a escrever e braile, a tornando capaz de imortalizar sua história não apenas através da fala mas também da escrita.

Case Semana Senac de Leitura – Sarau Rubem Alves transformando pessoas

Por: Adriana Rafael Pinto

O Senac São Paulo promoveu a Semana Senac de Leitura em abril e irá promover nos meses de outubro e novembro novos encontros.  O Senac trabalha com a promoção e estímulo a leitura. A unidade educacional Senac Tiradentes, articulou a atividade juntamente com a Rede de Leitura Inclusiva, veja como tudo começou. Construir projetos integrados em uma Rede, mostrou e comprovou o ditado popular “união faz a força” e também a diferença. Estar trabalhando e planejando em rede significa, compartilhar as ideias, alinhar as ações e executar para o benefício de todos, principalmente para promover a inclusão. Com este principio em mente o GT (grupo de trabalho) de São Paulo, se reuniu para elaborar a atividade de leitura inclusiva. Na reunião para construir a primeira ação, tivemos representantes das instituições:  Senac Tiradentes, Colégio Vicentino Padre Chico , Memorial da America Latina, Fundação Dorina Nowill e um representante da sociedade civil. Nesse dia trouxemos a necessidade de planejar a primeira ação de 2016 um ganho pessoal e institucional. O ganho pessoal, porque desejávamos concretizar algo que trouxesse mudanças em nós, proporcionando mais experiência. Todos os indivíduos presentes tinham metas a cumprir, dificuldade na gestão de tempo para planejar mais ações, necessidade de criação e interesse em comum – proporcionar e viabilizar a inclusão. O ganho institucional estava em proporcionar uma ação sincronizada com a missão.  O GT de São Paulo saiu da reunião com a programação desenhada. O grupo  decidiu por  uma atividade, dentro da Semana Senac de Leitura, essa atividade seria no formato de Sarau. O Senac Tiradentes, incluiria a programação na sua grade e proporcionaria o espaço, bem como toda a articulação e gestão do projeto. O colégio Vicentino Padre Chico, traria os alunos para uma atividade educacional extracurricular, os demais integrantes da rede colaborariam.  O tema da atividade foi inspirada, nas obras de Rubem Alves, surgindo o projeto Sarau Rubem Alves transformando pessoas.  O Senac Tiradentes, convidou  a mediadora Silvana Campos dos Reis, pedagoga e supervisora educacional, para desenvolver a atividade. O local escolhido foi a biblioteca, que comporta 80 pessoas sentadas. O texto escolhido foi extraído da crônica Pipoca, de autoria de Rubem Alves. Todos os detalhes foram lembrados, o texto teve a impressão em Braille, fonte ampliada e narrado ao vivo por interlocutores. A comunidade do entorno foi convidada para assistir o sarau e assim proporcionar um encontro de alunos das três instituições, alunos do Senac, alunos do colégio Vicentino Padre Chico e alunos do Instituto Dom Bosco.

FACULDADES INTEGRADAS CAMPO-GRANDENSES (FEUC/FIC) E REDE DE LEITURA INCLUSIVA: REUNINDO FORÇAS PARA DISSEMINAR A INCLUSÃO SOCIAL DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL

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 Por: Joyce Silva dos Santos (PIBID/ FIC/ PAA)

            No último dia 12 de junho de 2015, as Faculdades Integradas Campo-Grandense (FIC), mantidas pela Fundação Educacional Unificada Campo-grandense (FEUC), e o projeto Rede de Leitura Inclusiva, organizado pela Fundação Dorina Nowill, promoveram um encontro para a propagação da leitura inclusiva no Estado do Rio de Janeiro.

            As FIC, instituição de ensino superior situada no bairro de Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro, que oferece, há cinquenta e cinco anos, cursos de licenciaturas em Letras, Pedagogia, Ciências Sociais, Geografia, História e Matemática, reuniu em suas dependências cerca de cem ouvintes, dentre eles, estudantes e professores do curso de Letras e de Pedagogia da casa, convidados do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFRJ/ campus Volta redonda), do SESC Nacional e alguns visitantes interessados em obter informações acerca do acesso à leitura inclusiva.

            O encontro foi mediado por Ana Paula da Silva, representante da Fundação Dorina Nowill, que trouxe a debate aspectos importantes referentes à promoção da inclusão da pessoa com deficiência visual. A palestrante destacou a necessidade de quebrar as barreiras da passividade, estabelecendo atitudes que favoreçam a ampliação do acesso à leitura a cada vez mais pessoas, evitando que o conhecimento e os materiais continuem retidos nas mãos de uma minoria, passiva, que não compartilha o que sabe, e que os acervos construídos continuem fechados e sem utilidade.

            Além disso, o encontro frisou a importância do uso das tecnologias em favor da inclusão, para além do livro Braille, mostrando recursos como o livro digital Dayse, o livro falado e aplicativos disponíveis pela rede, enriquecendo o conhecimento de toda comunidade acadêmica no que tange à promoção da leitura para este público.

            A proposta de inclusão da Rede dialoga diretamente com o projeto PIBID/ PAA do curso de Letras/Português das Faculdades Integradas Campo-grandenses (FIC), que propõe a produção de livro falado das leituras realizadas por alunos e alunas de uma escola municipal da cidade do Rio de Janeiro, situada no bairro de Guaratiba. A ideia do projeto é promover a inclusão por meio da leitura, tendo como foco a formação de leitores dentro e fora do ambiente escolar e a propagação da Literatura através do livro falado, reunindo forças e ideias para que nenhum indivíduo esteja excluído do acesso à leitura.

            Neste sentido, a parceria da Rede de leitura Inclusiva com as FIC veio incentivar as propostas de educação inclusiva, já pensadas pela instituição de ensino, colaborando para a criação de parcerias com outras instituições do Estado, que também apoiam a inclusão.

            O Rio de Janeiro, principalmente a zona oeste, ainda tem poucas iniciativas no que diz respeito à inclusão de deficientes visuais ou pessoas com baixa visão, o que justifica a necessidade da implementação de programas voltados para esse público. Segundo o senhor Israel Ferreira, que é deficiente visual, morador de Campo Grande e que esteve presente no evento, no bairro onde mora não encontra grupos de apoio nem atividades voltadas para o deficiente visual, o único lugar onde encontra apoio e, até mesmo acessibilidade a materiais em Braille, é em poucas instituições e escolas situadas no centro e na zona sul da cidade como, por exemplo, o Instituto Benjamim Constant que fica distante cerca de 58km do bairro de Campo Grande, o que se torna de difícil acesso. Assim, sua única maneira de ter acesso à leitura é através de materiais multimídias disponibilizados na internet. De acordo com ele, os deficientes visuais da região encontram dificuldade até mesmo para ter acesso a cursos de informática, pois a maioria dos cursos ainda não sabem como lidar com a deficiência visual, quando procurou aprender a lidar com o computador não conseguiu auxílio próximo de sua residência. As propostas de inclusão que presenciou durante o encontro da Rede nas FIC despertaram o interesse de poder estar mais próximo de pessoas que também propaguem a inclusão, podendo, assim, tanto aprender quanto compartilhar o que já sabe.

            Este primeiro encontro da Rede de Leitura Inclusiva nas FIC, selou a parceria entre as duas instituições e serviu para estreitar os laços da inclusão na região. Todo o corpo docente e discente da Instituição, assim como toda a comunidade espera que esse seja o início de muitos encontros e práticas de disseminação da acessibilidade leitora, para que a leitura esteja ao alcance de todos.

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LEITURAS DE APOIO: http://feucnel.blogspot.com.br/

http://pibidfeuclivrofalado.blogspot.com.br/

Secult e TCE realizam encontro para a implantação da Rede de Leitura Inclusiva de Tocantins

Fonte: Fernanda Veloso/Secult

Nesta quarta-feira, 17, a Secretaria Estadual da Cultura (Secult) em Parceria com o Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE) e a Fundação Dorina Nowill para Cegos, realizam o Encontro para implatação da Rede de Leitura Inclusiva no Tocantins. A ação acontece de 14 ás 17 horas, na biblioteca do TCE. Segundo Perla Assunção, responsável pelos serviços de Apoio à Inclusão da Fundação Dorina Nowill para cegos a proposta do encontro é aproximar organizações de diversos setores, como bibliotecas, professores, projetos e núcleos de acessibilidade e inclusão, secretarias, organizações sociais e de ensino para que a partir do diálogo possam propor ações que incluam a pessoa com deficiência. A biblioteconomista da Secult, Alessandra Batista, ressaltou que mesmo com o sistema de bibliotecas passando por um processo de reestruturação, uma vez que a Biblioteca Darcy Cardeal foi desativada pela gestão passada, a Secult não está medindo esforços para viabilizar a instalação da Rede de Leitura Inclusiva no Estado. “Desde o primeiro momento a Secult se colocou à disposição para ajudar na mobilização dos agentes formadores da rede. Uma vez que não dispúnhamos do espaço físico realizamos uma parceria com o TCE que também abraçou prontamente a causa”, concluiu. Para a diretora geral do Instituto de Contas do TCE, Marilda Piccolo, a parceria com a Secult a fim de se implantar a Rede de Leitura Inclusiva no Tocantins vem sanar uma aspiração antiga da instituição. “Nós já disponibilizamos livros em braile na biblioteca do TCE, a parceria com a Secult e com a Fundação Dorina Nowill, vem proporcionar que ampliemos nossas ações em função de pessoas com baixa visão ou deficientes visuais”, afirmou. A professora Maria Dinalva é deficiente visual e já confirmou presença no primeiro encontro para a formação da Rede. “O Tocantins ainda tem poucas iniciativas para inclusão de deficientes visuais ou pessoas com baixa visão, principalmente no que se refere a disponibilização de materiais didáticos preparatórios para concursos. Nós deficientes visuais precisamos de iniciativas que venham facilitar nosso acesso a leitura de uma maneira em geral”, ressaltou. A rede de Leitura Inclusiva já está presente em 12 estados brasileiros, onde os participantes se reúnem para levantar os desafios e necessidades, refletir sobre as potencialidades locais e trocar experiências. Durante as reuniões, são estimulados a elaborar um plano de ação em rede para fortalecer as iniciativas que já existem além de criar novas, sempre tendo como tema o livro, a leitura e biblioteca sob a perspectiva da inclusão das pessoas com deficiência. –

Fonte: http://cultura.to.gov.br/noticia/2015/6/17/secult-e-tce-realizam-encontro-para-implantacao-da-rede-de-leitura-inclusiva-no-tocantins/#sthash.5OKFbOEG.dpuf

 

A leitura do mundo em nossas mãos

Somos de uma unidade escolar no município de Santo André, a E.E. Profa. Inah de Mello.

A princípio, uma escola comum. Mas temos um diferencial em nossa rotina que a torna muito querida e envolvida na construção de um cidadão mais capaz de incluir e atuar na perspectiva de enxergar o outro nas suas diferenças.

Na Diretoria de Ensino da Região de Santo André, há mais de quatro décadas, a nossa escola é pólo em atendimento a deficientes visuais. O atendimento e inclusão deste público nas salas de aula são realizados em uma Sala de Recursos em Deficiência Visual (S.R.D.V.), atualmente também conhecida como sala de APE (Apoio Pedagógico Especializado), e conta com atuação de duas especialistas, a Carmem Medina e a Shirley Monteiro, duas pessoas que são, além de peritas em técnicas pedagógicas sobre deficiência visual, pessoas que primam pelo trabalho humanizado.

O nosso trabalho não é melhor do que o de outras instituições que se prestam a este tipo de atendimento. Mas gostamos de enfatizar que o carinho e a naturalidade como a integração entre o público-alvo da Educação Especial (PAEE) e os demais alunos acontecem é um diferencial em tempos de tanta contradição e falta de respeito em relação ao próximo.

Na rotina escolar, os alunos cegos ou de baixa-visão se integram nas diferentes atividades propostas: projetos, teatro, seminários, apresentações, trabalhos em grupo, esportes, interagem nos intervalos, namoram, discutem, se envolvem em intrigas, se assumem com suas dificuldades como qualquer adolescente da mesma faixa etária. Dizemos que são bem resolvidos com suas condições. Os que ainda estão se apropriando de sua nova condição, perdendo a visão ou já desprovidos dela, passam por um processo de acolhida dos professores, amigos de sala, profissionais envolvidos e família que, em pouco tempo já têm esta questão acomodada e a enfrentam buscando as melhores formas de lidar com suas limitações.

Para que tenham um exemplo desta prática, e que ela pode dar certo, realizamos, há três anos, uma feira de troca de livros como estímulo à leitura e o contato com uma variedade de livros de todos os gêneros. E o que é mais importante, sem que alunos ou escola gaste um tostão, atrelando a esta ideia também a preocupação com as questões de sustentabilidade.

Um grande apoio para estas atividades de incentivo à leitura também é realizada pela Sala de Leitura da escola, com a professora Solange Barbosa que trabalha de forma conjunta com os professores, dentro e fora da sala de aula. O acervo da escola de livros adaptados fica integrado ao acervo dos demais livros.

E uma preocupação que surgiu em relação à feira foi quanto ao público de deficientes visuais. Não existe a prática de levarem títulos em Braille ou material ampliado para casa, por conta do volume excessivo. E para uma feira de troca, os alunos deficientes visuais não tinham o que trocar. Para atendê-los, realizamos, então, o contato com instituições, bibliotecas e escolas com acervo adaptado e levantamos a possibilidade de doações, para que os deficientes visuais pudessem também levar livros para casa e ter a oportunidade de trocar por outros títulos no dia do evento. As doações foram tantas que o acervo aumentou ainda mais.

Tem sido um sucesso. E a cada ano, criamos atividades diferenciadas. Além das bancas de Poesia, Contos, Clássicos, Literatura Infantil, Gibis e Revistas, são oferecidas oficina temática de produção textual, contação de histórias, conversa com autores, e outras atrações culturais. Nestas bancas, distribuímos também as obras adaptadas em Braille e ampliadas para a escolha dos alunos deficientes visuais junto aos demais alunos.

Criar o hábito da leitura é uma prática que iniciamos com os exemplos. E por que não começar o contato com os livros de uma maneira descontraída e divertida? E com os amigos na escola?

É o que pretendemos!

Érika David Suzuki Bueno

Professora-Coordenadora

E.E. Profa. Inah de Mello

Santo André-SP

Foto de uma sala de aula,ao fundo lousa verde com grupo de 13 pessoas - estudantes e professores -em pé pousando para foto. A frente do grupo quatro carteiras escolares unidas, acima delas mochila, computador e acessórios e projetor.

PRODUÇÃO DE ACERVO DE ÁUDIO: LETRAMENTO LITERÁRIO ESCOLAR E INCLUSÃO SOCIAL DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL

Vânia Gonçalves de Almeida (PIBID/ P AA/ FIC/ FEUC)

            O Projeto PAA – Produção de Acervo de Áudio – desenvolvido por graduandos(as) de Licenciaturas em Letras das Faculdades Integradas Campo-Grandenses (FIC/ FEUC), juntamente com o apoio da CAPES, busca promover o letramento literário de alunos(as) da rede pública da cidade do Rio de Janeiro e produzir material destinado ao uso de pessoas com deficiência visual, com intuito de contribuir para inclusão social e desenvolvimento intelectual dos mesmos.

            A proposta do projeto é fazer com que os futuros discentes da área de Letras desenvolvam estratégias pedagógicas que promovam o gosto pela leitura literária. Para tanto, são promovidas pesquisas voltadas para o letramento literário, para a mediação pedagógica e para as produções de áudio. Tais pesquisas tem o propósito de despertar nos(as) alunos(as) do segundo segmento do ensino fundamental da Escola Municipal Euclides da Cunha, – que sedia o projeto PAA – o gosto pela leitura e, também, produzir material auditivo de qualidade para que pessoas com deficiência visual possam desfrutar.

            Situada no bairro de Guaratiba, Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, a escola, sede do projeto, funciona em uma região muito carente no que diz respeito à acessibilidade ao lazer e aos espaços culturais, sendo, na maioria dos casos, o espaço escolar o único local de expressão cultural a que as crianças e jovens da região têm acesso.

           Foi por entender que a leitura proporciona ao indivíduo espaço para criar e desenvolver seus objetivos, que as Faculdades Integradas Campo-Grandenses (FEUC/ FIC) escolheram a comunidade escolar de Guaratiba para o desenvolvimento do projeto PAA, como forma de proporcionar aos discentes da escola mais uma oportunidade de lidar com as manifestações culturais de seu país através do trabalho com o texto literário, assim como, desenvolver nos colegiais o amor pelo ato de ler. Assim, consta como uma das principais ações práticas do projeto, oferecer aos alunos e alunas do referido colégio oficinas de leituras voltadas para o viés lúdico do texto literário. Tais oficinas visam ao desenvolvimento da imaginação criativa dos leitores e à expressão de uma leitura voltada para o prazer, para a imaginação e para a criação a partir do que foi lido e apreendido. Além disso, outro propósito importante é melhorar a proficiência leitora dos aprendizes e produzir material que desperte a atenção dos componentes da comunidade escolar e adjacências para a importância do produto final das gravações e atividades de leitura. As vozes eternizadas em cd’s de áudio que serão utilizados para oferecer as pessoas com deficiência visual mais oportunidades de contato com a literatura são um meio de despertar a atenção dos discentes para a importância de tornar a leitura acessível a quem não pode ler por algum tipo de deficiência visual e/ou analfabetismo.

           A proposta de criar um material de leitura inclusiva que proporcionasse aos deficientes visuais o acesso a obras literárias de qualidade e bem reproduzidas já era uma ideia antiga das FIC, que começou a ser desenvolvida através do NEL – Núcleo de Estudos da Linguagem Poeta Primitivo Paes –, juntamente com o apoio de alunos voluntários que faziam as leituras para a gravação do cd de áudio. O motivo primordial para tal ação era tornar as obras literárias mais acessíveis a um aluno da Instituição que era portador de deficiência visual. A escolha de produzir um material de áudio e não em braille, é uma proposta de inclusão social para pessoas cegas ou com baixa visão que vem da consciência da dificuldade pela qual essas pessoas passam para ter acesso a leitura literária e informativa, já que o braille ainda não é acessível a todos que precisam. Muitos deficientes visuais ainda não são alfabetizados nesse sistema de escrita que lhes é particular e, além disso, o material é de alto custo e de difícil locomoção, uma vez que um livro transcrito em braille toma proporções bem maiores do que um livro normal.

           A partir dessa iniciativa da Instituição foi gerado um cd contendo obras do Poeta Primitivo Paes e de Fernando Pessoa. A proposta de gravação em áudio de textos literários foi apresentada e aceita pela CAPES para ser desenvolvida no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), que propõe a inserção dos futuros professores de Letras no contexto da escola pública.

           Dessa maneira, o projeto Produção de Acervo de Áudio (PIBID/ PAA), mostra-se como uma extensão da formação profissional dos licenciandos em Letras, permitindo-os vivenciar a realidade da escola pública brasileira e lidar com a necessidade especial dos indivíduos, oferecendo-lhes maiores oportunidades de acesso à cultura e ao conhecimento. O grupo PIBID/ PAA/ FIC/ FEUC é composto por vinte e cinco alunos das Licenciaturas em Letras das FIC/ FEUC, que atuam diretamente com a realização de pesquisas voltadas para área de letramento literário e produção de acervos em áudio. Os resultados das pesquisas são aplicados nas oficinas de leitura e gravação de áudios. Dois professores da faculdade atuam como coordenadores de área do projeto – Professora Arlene da Fonseca Figueira e Professor Erivelto da Silva Reis – e cinco professoras da Escola Municipal Euclides da Cunha colaboram como supervisoras das oficinas, prestando apoio aos bolsistas e aos alunos e alunas da escola supracitada.

Grupo PIBID/ PAA em Seminário PIBID/ UFRRJ

Grupo PIBID/ PAA no I Seminário Institucional PIBID – FEUC

LEITURA DE APOIO: http://feucnel.blogspot.com.br/

Case Fundação Regina Cunha – FURC Para Blog da “Rede De Leitura Acessível”

ACESSÍVEL E ITINERANTE

A Fundação Regina Cunha faz parte da Rede de Leitura Inclusiva da Bahia, mantendo uma Biblioteca Acessível para Deficientes Visuais com títulos diversificados em Braille, audiolivros, livros falados e em fonte ampliada. A Biblioteca Acessível também é itinerante e leva os livros adaptados para os bairros, escolas, serviços e eventos.

atendimento

PUBLICAÇÃO PRÓPRIA:

Além do acervo disponibilizado, a FURC já publicou um título próprio: Cartilha de Atenção à Saúde Ocular: a infância, a família e a escola.  Com orientações para prevenção da cegueira e promoção da saúde ocular, a cartilha aproxima o conhecimento médico-científico da realidade dos jovens e dos saberes tradicionais da região sul da Bahia.

Espaço FURC

A cartilha foi realizada de forma lúdica a partir de mais de 16 horas de oficinas, com médicos e a artista plástica Flávia Bomfim. Os 16  jovens participantes tornaram-se os ilustradores e co-autores da cartilha. E levaram essa aprendizagem para a vida. O material já está na 2ª edição e 3a reimpressão, já foi distribuído em escolas, instituições de saúde e em eventos sobre Saúde Ocular em Brasília e na Índia, sendo reconhecida como uma experiência inédita a serviço da educação em saúde. Em breve a Cartilha terá sua terceira edição, com versão acessível e um Cd-rom com sugestões de atividades didáticas a partir do seu conteúdo.

O que sabemos sobre a leitura da pessoa com deficiência visual?

Fundação Dorina realiza uma pesquisa nacional para entender o cenário da leitura inclusiva

Em seus quase 70 anos de atuação a Fundação Dorina caminhou na produção manual de livros acessíveis para a maior gráfica de livro braille da América Latina, além da produção de livros falados, fonte ampliada, tinta-braille ilustrado e Digital Acessível DAISY, com uma média de 200 mil  exemplares distribuídos anualmente para todo o Brasil.

No entanto ainda assim ficava uma sensação de que faltava algo, pairando a seguinte questão: será que fornecer os livros acessíveis para as bibliotecas, escolas e outras organizações garante a formação de leitores com deficiência visual?

A partir desta inquietação a Fundação Dorina, realizou em 2012 a Pesquisa Nacional dos Hábitos de Leitura da Pessoa com Deficiência Visual, por meio da Ipsos Public Affairs.

Foram entrevistadas mais de mil pessoas entre leitores com deficiência visual e profissionais de organizações intermediárias (biblioteca, escolas, salas de leitura, etc), a fim de entender também como se dá o processo da leitura inclusiva no Brasil. Com isso compreendemos o impacto dos livros acessíveis nas organizações intermediárias bem como os desafios e barreiras para a utilização destes, além de identificarmos como se dá a relação entre o profissional intermediador, o livro acessível e o usuário final.

Compartilharemos a seguir os principais resultados.Perfil Atendentes das organizações intemediárias da leitura

Sobre as organizações intermediárias, percebemos que o profissional que trabalha no atendimento à pessoa com deficiência visual atua há pelo menos 3 anos na função, ou seja, possui convivência e experiência com este público.  A pesquisa mostra ainda a qualificação deste profissional, tendo a grande maioria formação superior.

No entanto esses profissionais sinalizaram que embora tenham experiência na função e possuam formação superior, sentem a necessidade de informações e capacitações para realizarem   seu trabalho às pessoas com deficiência visual.

 Essa dificuldade se revela em um  outro dado da pesquisa no que diz respeito a promoção de  atividades de incentivo à leitura praticadas pelas instituições, onde quase 80% informa realiza-las, e destas somente 39% promove atividades para pessoas com deficiência visual.

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Isso nos mostra que a acessibilidade atitudinal não ocorre e é a grande estratégia para mudar esse quadro. Ao  se pensar  em atividades que atendam as diversidades não mais será necessário fazer essa divisão de públicos e ações.

grafico uso dos livrosAgora falando do público com deficiência visual constatamos no perfil deste leitor que existe forte interesse pelo livro e leitura, entre os leitores do formato braille, por exemplo, mais de 70% respondeu ler no mínimo uma vez por semana.O leitor com deficiência visual aponta ainda a importância das organizações locais na intermediação entre os livros acessíveis e a Fundação Dorina.

Constatamos também que 86% dos livros acessíveis disponibilizados pelas organizações pesquisadas são fornecidos pela Fundação Dorina, o que confirma a importância na continuidade da produção e distribuição de livros acessíveis e que outras fontes são pouco exploradas.

grafico intermediaçãoGrafico fornecedor livros acessiveis

 Com essa pesquisa foi possível concluir que se fazem necessárias, tanto para a organização intermediária quanto para o leitor com deficiência visual, ações mais próximas, com diálogo e troca de oportunidades inclusivas e neste sentido mais uma vez constatamos que ações da Rede de Leitura Inclusiva convergem com as necessidades de todos os atores envolvidos.

Cabe a nós, organizações intermediárias, conhecer, buscar e ofertar recursos acessíveis ao leitor com deficiência visual demandar e reconhecer suas oportunidades e direitos de acesso à leitura e à informação.