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Arquivos da categoria: Notícias

Imagem mostra apenas os pés de um deficiente visual andando pela rua com sua bengala.

Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Visual – DEZEMBRO 2017

Olá para todos que fazem a Rede Nacional de Leitura Inclusiva. Estou realizando mais um evento em Arapiraca–AL, dia 16 de DEZEMBRO de 2017, para comemorarmos ” O dia Nacional da Pessoa com Deficiência Visual ” que é dia 13 de dezembro.

E gostaria de convidar todos vocês para fazer parte deste momento, junto comigo e todos os profissionais voluntários que estarão abraçando o Projeto: “Nas entrelinhas, a deficiência visual”.

O evento é gratuito e acontecerá, sábado, dia 16 de Dezembro de 2017, no Arapiraca Garden Shopping, no corredor que dá acesso à praça de alimentação, no horário das 10h às 22h.

O projeto tem dois objetivos:
1. destacar a importância da prevenção da deficiência visual e
2. ressaltar a atenção da sociedade e das Instituições, para uma proposta de inclusão social dos deficientes visuais dentro da sociedade e principalmente dentro das Instituições Educacionais.

É notória a necessidade do desenvolvimento de projetos nessa área, para que se possa proporcionar aos deficientes visuais independência, com qualidade de vida, através da acessibilidade, da comunicação, da mobilidade e da integração. Além de ressaltar a importância da Educação tirando-os da exclusão.

Para abraçar o nosso público é uma exigência, que os livros sejam impressos em Braille e à tinta, com letras ampliadas. E os livros foram fornecidos por esta Instituição Fundação Dorina Nowill para Cegos à Escola Estadual Adriano Jorge. Teremos ainda materiais diversos e adaptados, com texturas, e muito mais. Além de apresentações Musicais e Teatral. Estou tentando conseguir ainda áudio-descrição e intérprete de libras, que são importantíssimos.
Será um projeto que envolve a pessoa com deficiência, a educação e a cultura.

Venham fazer parte deste momento, que será muito legal.

Agradeço em nome de toda a equipe.

Silvana Maranhão

Na foto, grupo de pessoas lado a lado sorriem.

Coleção Regionais é lançada em Manaus na comemoração dos 18 anos da Biblioteca Braille do Estado

Na manhã dessa última quarta-feira, 08 de novembro, professores, estudantes e articuladores participaram do lançamento da coleção Regionais no auditório do Palacete Provincial, na Praça Heliodoro Balbi, Centro de Manaus, Amazonas.

Para o evento, a articuladora Ana Paula Santos apresentou as obras da coleção e contou a parceria de 10 anos entre a Biblioteca Braille do Amazonas e a Fundação Dorina Nowill, que doa livros acessíveis e engaja profissionais e educadores com ações inclusivas.

rapaz em pé se apresentando em libras.Além da leitura, o Grupo de Trabalho de Amazonas, parceiros da Rede de Leitura, apresentaram suas iniciativas de leitura e uso da coleção.

No Amazonas, o projeto atende diversas escolas da rede pública, da Universidade Federal do Amazonas e também da Universidade do Estado do Amazonas.

O diretor da Biblioteca Braille do Amazonas (BBAM), Gilson Mauro Pereira, considera eventos como este uma oportunidade de divulgar a deficientes visuais a existência de projetos de acessibilidade. “Diante da demanda de quase 70 mil deficientes visuais que nós temos na cidade de Manaus, é necessário a criação de obras acessíveis porque são essas pessoas que nós representamos. Essas pessoas são o alvo que a Secretaria de Cultura de Estado pretende trabalhar e incluir”, pontuou.

 

Para conhecer as obras, a Biblioteca Braille do Amazonas disponibiliza exemplares para consulta, atuando em conjunto com Complexo Municipal de Educação Especial André Vidal de Araújo, Escola Estadual Professora Hilda de Azevedo Tribuzy, Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual do Amazonas – CAPS, Senai – AM, Universidade Federal do Amazonas – UFAM, Universidade do Estado do Amazonas – UEA, Escola Estadual Joana Rodrigues Vieira e com entidades de Parintins.

 

Abaixo vídeo:

Descrição do vídeo – Paulo lê o livro em braile sentado em uma cadeira, ao seu lado uma mulher segura o microfone e à direita Marcos, sentado em uma cadeira, traduz em libras.

Lançamento da coleção “Regionais” GT- Goiás.

Lançamento da coleção “Regionais” Livros em Braille, em fonte ampliada e em áudio

A coleção “Regionais” da Fundação Dorina Nowill para Cegos é composta de 21 livros acessíveis. Edição em áudio, em Braille e fonte ampliada, com ilustrações coloridas, mapas, abrange a literatura, a música, a culinária, o folclore e o turismo de cada uma das cinco regiões brasileiras. Para enriquecer esse evento e ilustrar a cultura de Goiás, contamos  com a presença dos escritores goianos Bariani Ortêncio, escritor e folclorista e de Pedro Ivo, escritor autor da coleção “O cerrado na escola”. O lançamento da Coleção no nosso Estado conta com a colaboração dos seguintes parceiros: Rede Nacional de Leitura Inclusiva, Biblioteca Braille “José Álvares de Azevedo”, Centro Brasileiro de Reabilitação e Apoio às Pessoas com Deficiência Visual CEBRAV e a Comissão Goiana de Folclore, que a partir desse evento passa a fazer parte do GT-GO.

 

O quê? Lançamento da coleção “Regionais”

Quando? Dia 07 de novembro de 2017 a partir das 15:00.

Onde? CEBRAV Rua 134, número 235, Setor Oeste.

Contato: Biblioteca Braille 62 3201-4648.

Coleção Regionais é apresentada na Biblioteca Pública do Estado com trilha sonora e culinária local

Com a participação da Universidade Federal de Pernambuco, artistas como Geraldo Feitosa, Vitória Maria Marinho e Luiz Carlos, lançamos no dia 26 de outubro, a Coleção Regionais na Biblioteca Pública do Estado, em Recife, Pernambuco.

Na tradicional roda de leitura teve contação de história de Bumba Meu Boi para uma turma de alunos com deficiência visual e sarau poético. “ Fiquei emocionada, especialmente com a leitura de cordel, foi simplesmente lindo, aprendi muito com eles, precisamos incluir cada vez mais, conviver com o outro independente das limitações, a  educação é para todos, e que surjam mais oportunidades para mais edições de diversos autores e títulos, conta Rosimery Carneiro, da UFPE.

“A leitura inclusiva é uma forma de fortalecimento das deficiências. Essa coleção vem reforçar que a nossa cultura deve ser acessível a todos, sem exceção”, explica a articuladora Angelita Garcia, da Fundação Dorina Norwill.

Algumas ações especiais e inclusivas foram exercitadas, entre elas a degustação da culinária regional, com comidinhas preparadas por uma cozinheira cega. Para finalizar teve apresentação musical e todos cantaram ” Hoje me sinto mais forte, só levo a certeza, de que muito pouco sei”, Tocando em Frente, de Almir Sater.

Na foto, pessoas sentadas em volta do cantor. O músico está sentado tocando violão. Na foto, mesa repleta de quitutes. Em volta da mesa, pessoas em pé provam as delicias.

 

Na imagem, foto do detalhe do rosto de uma criança, no caso, a carol, deficiente visuall. E ao lado da foto dela a seguinte frase: A Carol pode ter uma vida plena. Ajude, doe!

Nosso trabalho precisa do seu apoio!

Há 70 anos, a Fundação Dorina Nowill se dedica à inclusão social de pessoas com deficiência visual. Durante todos esses anos, a Fundação, oferece gratuitamente, serviços especializados para pessoas com deficiência visual e suas famílias, nas áreas de educação especial, reabilitação, clínica de visão subnormal e empregabilidade.

Mas para esse trabalho árduo feito com muito amor continuar auxiliando centenas de pessoas em 2018, precisamos arrecadar fundos para nossos atendimentos de começo de ano. Basta clicar ao lado para contribuir com um novo futuro para as pessoas com deficiência visual atendidas pela Fundação Dorina!

Hoje existe uma fila de espera de quase 6 meses para atendimento na Fundação Dorina. Por ser uma referência no tratamento de pessoas com deficiência visual, centenas de pessoas buscam os serviços da Fundação todos os meses. Para garantirmos apenas uma parte de nossos atendimentos do próximo semestre, precisamos de uma grande arrecadação de fundos. E contamos com a generosidade de pessoas como você para conseguirmos!

Abaixo o vídeo: “O Gabriel tem apenas 4 anos e já foi cego”

 

Toda contribuição é muito importante para chegarmos mais perto da nossa meta. Clique e contribua!

foto de dezenas de adultos sentados em cadeiras e crianças sentadas no chão do auditório da Fundação Dorina. À direita, de frente pra eles e sorrindo, está a escritora Fernanda Emediato.

I Semana da leitura

Em comemoração ao dia Nacional da leitura e do livro (12 e 29/10), a biblioteca circulante da Fundação Dorina organizou para seus usuários uma semana com muitas atividades de incentivo a leitura. As atividades aconteceram do dia 23 ao dia 27 do mês de outubro e nessas atividades os leitores tiveram a oportunidade de trocas de experiências, interação e maior integração e contato com a biblioteca.

foto de 11 pessoas sentadas em círculo. Ao centro há uma mesinha de vidro. Ao fundo há uma telão com o título do livro discutido.

Na segunda-feira (23) tivemos o café literário que nos proporcionou um debate reflexivo e com muitas trocas de ideias e pensamentos distintos. O livro discutido foi “A insustentável leveza do ser” do autor Milan Kundera.

O segundo dia (25) de atividades foi direcionada ao publico infantil. Neste dia, as crianças puderam ouvir a historinha da “Menina sem cor” pela autora Fernanda Emediato. Além da contação de histórias as crianças receberam desenhos dos personagens em relevo para colorirem em grupo.

No terceiro dia (26) tivemos a presença do professor, palestrante, tradutor e escritor brasileiro Gabriel Perissé que nos falou sobre “Ler, pensar e escrever”.
foto do auditório da Fundação Dorina com dezenas de pessoas sentadas. Em segundo plano, de frente para a plateia, está o palestrante Gabriel Perissé. Ele tem pele clara, cabelos grisalhos, barba curta e usa óculos de armação preta.

O último dia de atividades (27) foi marcado por um bate papo descontraído e divertido com alguns de nossos ledores. Neste dia, os leitores tiveram a oportunidade de conhecer as pessoas que gravam os livros disponibilizados para empréstimo na biblioteca e puderam tirar todas as dúvidas relacionadas a está linda profissão.

A semana da leitura promoveu atividades que visam estimular e desenvolver o hábito pela leitura e incentivar ainda mais aqueles que amam este universo recheado de encantamento, descobertas e informação.

Agricultura, gastronomia e leitura inclusiva mostram como abraçar a diversidade

Temos entre nossas missões compartilhar o compromisso social em diversas comunidades do Brasil, não apenas para divulgar o conhecimento mas também para promover ações que contribuem com a formação integral, um exercício de cidadania por meio da cultura e educação que geram a inclusão como um todo.

Na primeira semana de outubro participamos nas cidades de Palhoça e Imbituba, em Santa Catarina, de diversas atividades que reforçam nossa filosofia. Lá, disseminamos informações e ampliamos as práticas de leitura às pessoas com deficiência, misturadas às atividades que despertam outras sensibilidades, junto com outros grupos de trabalho proporcionamos tarefas agrícolas, como reconhecer as ramas, regar e plantar ou fazer uma trilha sensitiva com o Coletivo Taiá, Terra de Condução Ambiental Local, vivenciando a natureza em suas variadas formas e sensações e oficinas de sensibilização inclusiva.

Pessoas em atividade rural. Uma mulher agachada segura um prato de cerâmica em frente a dois jovens sentados no chão. Os jovens estão sentindo a textura das plantas do local e do material dentro do prato.

Nas leituras, a articuladora Angelita Garcia, falou na 10ª Semana de Integração Docente e Discente sobre a concepção de metodologias e práticas inclusivas aos caminhos que as pessoas podem encontrar na literatura para os profissionais de educação e convidou os presentes para uma dinâmica que despertou para ações inclusivas e participativas e ainda apresentou a Coleção Regionais.

“Os livros foram dispostos para que todos pudessem ter contato com a obra. A Coleção Músicas Regionais, foi apresentada através de uma atração musical preparada pelo Professor de Arte Gean, que trabalha em um projeto que atende crianças em vulnerabilidade social e também inclui crianças com diferentes diagnósticos”, conta a professora. Suyana Custódio.

Três adolescentes sentados folheando livros da coleção regionais. EM primeiro plano uma jovem sorrindo exibe o livro Negrinho do Pastoreio.

As atividades realizadas em Santa Catarina dão aos deficientes um verdadeiro empoderamento, além da capacidade de ler, o contato sensitivo com a natureza e os produtos proporcionados por ela faz delas pessoas mais independentes, confiantes e entre esse boom de coisas boas a deficiência chega a passar despercebida aos nossos olhos, como conta Gláucia Maindra, da Biblioteca Pública Municipal Cônego Itamar Luiz da Costa.

“Essas ações são fundamentais para o cotidiano da comunidade. Trago aqui dois relatos que no meu entender refletem a importância desta ação. Clara, uma criança que é neta de uma das condutoras do Coletivo Taiá, que nos levaram até o boqueirão, ao chegar em casa comentou: ‘Vó, onde estavam as pessoas cegas que você comentou?’. Depois a Avó, comentando conosco acrescentou, realmente somos nós adultos que deixamos de ver com outros olhos. Assim, como o seu Luis, Presidente da Acordi. Ele chegou bem no final e fez a mesma pergunta às agricultoras que prepararam o nosso café: mas, afinal, onde estão as pessoas cegas? E assim, sigo acreditando que ações como essa são primordiais para enxergarmos com outros olhos”.

Encontros como os realizados em Santa Catarina vão além da “simples” e mera inclusão dos deficientes visuais na sociedade, como planejado por nós, mas esses acontecimentos atingem um patamar acima do imaginável, para muitos deficientes ser de fato incluídos na sociedade e conviver com todos independente de suas dificuldades ou singularidades torna sua vida muito mais colorida e mais completa. Essa constatação não é apenas nossa, mas de quem vive esses momentos com a gente, como a bibliotecária e coordenadora do programa de Promoção de Acessibilidade da UNISUL, Salete de Souza.

“A emoção mais representativa foi identificar o momento da inclusão de todos. A mãe, o filho, o estudante , a professora, o agricultor, o bibliotecário, o oficineiro, os músicos, as crianças todas participaram cada qual na sua condição e história de vida de todas as atividades e vivências. O mote foi o lançamento da coleção, mas a meta atingida foi a reunião das pessoas, com suas singularidades, leituras de vida, valores, todos vivendo o mesmo espaço e propostas do encontro. Nem sempre se alcança essa meta”, finaliza Salete.

Participaram das atividades a Biblioteca Pública Municipal Cônego Itamar Luiz da Costa, a EEB Henrique Lage, EEB Alvaro Catão, EEB Pref Pedro Bittencourt, a Diretoria de Cultura, a Secretaria de Educação, Cultura e Esporte, além dos integrantes da Rede de Leitura Inclusiva.

Na foto, cavalo puxa charrete no sitioNa foto, um grupo de pessoas posam para foto em meio a mata

 

Grupo de aproximadamente 20 pessoas pessoas em semi circulo, em um ambiente rural. Há jovens e adultos. Em primeiro plano um agricultor em pé se apoia em uma enxada enquanto conversa com as pessoas. Ao lado do agricultor, duas agricultoras sentadas cuidando de raízes.

Grupo de 14 pessoas em pé e, duas pessoas agachadas e uma pessoa em uma cadeira de rodas em uma sala de aula. Todas estão sorrindo e estão segurando livros da Coleção regionais

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Convite para lançamento da coleção “Regionais” em Goiás.

Livros “Regionais” Região Centro-Oeste

A Biblioteca Braille “José Álvares de Azevedo”, juntamente com o CEBRAV (Centro de Apoio às Pessoas com Deficiência Visual) promove lançamento da Coleção “Regionais” (livros em Braille e com fontes ampliadas).
Endereço: CEBRAV – Rua 134, número 135, Setor Oeste (fundos do Externato São José).
Data: 07/11/2017
Horário: 15h00min
Telefones.: CEBRAV – (62) 3201-7425/ BBJAA – (62) 3201-4648

A cultura brasileira acessível a todos.
Seja bem-vindo à coleção Regionais e à riqueza cultural brasileira de forma acessível!
Viaje pelo Brasil com a Fundação Dorina e os livros acessíveis que trazem a literatura, a música, a culinária, o folclore e o turismo de cada uma das cinco regiões.
Nessa viagem, passamos pela literatura com o livro falado e pela riqueza musical com as partituras Braille.
Experimentamos os sabores pelo livro de culinária e histórias de infância com o livro de folclore ilustrado em tinta e em Braille. E, por fim, visitamos cidades brasileiras com o livro de turismo em formato Daisy.
A “Coleção Regionais” foi desenvolvida pela Rede Nacional de Leitura Inclusiva. A edição possui 15 volumes em Braille e em fonte ampliada, com bastante ilustrações coloridas e em relevo agradável ao tato.
O lançamento dessa riquíssima aquisição conta com a parceria da Biblioteca Braille e do CEBRAV que realizarão um evento com a presença de vários escritores goianos para falar da cultura goiana e contar histórias engraçadas retiradas de suas obras.

Precisamos falar sobre Verônica

Por Fabiano Cameran

Entre as inúmeras surpresas que a segunda edição do Encontro de Leitura Inclusiva de Sergipe nos trouxe, umas das mais marcantes, certamente, foi a história de Maria Verônica Esteves, nascida na cidade de Boquim, localizada cerca de 84 km de Aracaju. Com um astral contagiante e uma alegria que erradia a todos a sua volta, Verônica, 62 anos, dá aula de força de vontade e mostra através de seu testemunho que nunca é tarde para aprender a ler e a vencer as barreiras (mesmo físicas) impostas pela vida.

Verônica nasceu com uma deficiência visual, em sua cidade os recursos eram escassos e até mesmo viajar para a capital sergipana era uma empreitada complexa para uma família que lidava com a roça em meio ao sertão nordestino, as barreiras faziam com que a cada dia a expectativa de enxergar o mundo fosse mais remota para a jovem, alguns médicos diziam que a única esperança  estava localizada a muitos quilômetros, mais precisamente em São Paulo, e nenhum tratamento existente na época garantiria a sua cura.

De família católica, Verônica teve seu primeiro contato a um ensino ainda em sua infância através da catequese, onde absorvia todo o conteúdo passado por sua catequista através de uma atenta escuta de tudo o que era dito. Mas por lidar desde cedo com o trabalho do campo Verônica nunca teve oportunidade de estudar, mesmo que tivesse não haviam escolas com estrutura para a receberem, uma vez que os professores além de não terem preparo não tinham também materiais em acessíveis.

Da infância, a adolescência e tão logo Verônica já era uma mulher, guerreira e trabalhadora mas sem ter acesso a informação e tão pouco a educação, a cura de sua deficiência era ainda mais difícil. Certo dia, após uma consulta um médico falou para sua mãe que não havia mais o que ser feito pela medicina local, mais uma vez a solução se mostrava presente em São Paulo, mas as chances de cura eram de no máximo 10% e ainda assim a visão seria parcial. Foi então que Verônica disse a sua mãe que não queria correr mais atrás de tratamentos para seu problema, uma vez que ela veio ao mundo assim então aceitava aquilo como seu destino.

O tempo passou, Verônica era sempre rodeada por amigos e familiares sempre dispostos a ajudarem quando ela precisasse, mas ainda lhe faltava algo, e aquilo que lhe faltava por mais incrível que pudesse parecer não era a sua visão, mas sim a oportunidade de conhecer o mundo mesmo que de maneira lúdica através da leitura. Foi então que ela conheceu uma senhora evangélica, que a estimulou a aprender a ler pois nunca era tarde para o Saber. Essa senhora então, mesmo sem também saber ler em braile, conseguiu algumas cartilhas que ensinavam o alfabeto braile e juntas elas aprenderam a decorar cada uma das letras, aos poucos a então professora de Verônica conseguiu alguns livros religiosos em braile e aos 54 anos Verônica aprendia então a ler em braile e a enxergar o novo através da literatura.

Até hoje, aos 62 anos, Verônica só teve acesso a literaturas religiosas ou infantis, mas graças a Coleção Regionais, da Rede de Leitura Inclusiva, ela com seu jeito simples e carisma encantador terá na biblioteca de sua pequena cidade (Biblioteca Pública Municipal Hermes) mais uma infinidade de histórias e a cada folhear seus olhos se abrirão, mesmo que lúdica e fantasiosamente, para novas histórias e aventuras. Através da semana de Leitura Inclusiva, Maria Verônica ganhou também uma bolsa para aprender a escrever e braile, a tornando capaz de imortalizar sua história não apenas através da fala mas também da escrita.

Leitura inclusiva, representatividade negra e educação sexual são temas da Semana da Diversidade e Inclusão, em João Pessoa

“Use as mãos para o bem!”, foi o tema da Semana da Diversidade e Inclusão, que aconteceu entre os dias 25 e 29 de setembro, no Instituto Federal Paraíba, em João Pessoa.

Na programação questões sobre gênero, autismo, oficina de modas em libras, braile e saúde sexual entraram em pauta. Para abrir a edição o Centro de Atividades Especiais Helena Holanda, envolveu e comoveu, com uma dança, que expôs: cada pessoa pode ultrapassar seus limites apesar das limitações físicas, mentais e emocionais.

Já na mesa sobre Saúde Sexual, a enfermeira Eva Nascimento, do Núcleo de Prevenção em Educação e Saúde,  discorreu sobre gravidez na adolescência e métodos contraceptivos. Segundo a enfermeira, o objetivo da atividade fortalece as ações educativas e preventivas, além de trazer reflexão sobre autocuidado.

Entre as ações relacionadas a inclusão literária, a participação foi da articuladora Angelita Garcia, da Rede de Leitura, que levou a Coleção Regionais com objetivo estimular conhecimento e diversidade inclusiva.

“As atividades foram muito ricas, após as apresentações foi feita a entrega simbólica da Coleção Regionais à Valéria Marques, da Coordenação de Assistência às Pessoas com Necessidades Específicas. A partir disso, discutimos sobre a importância da leitura e o direito à informação para as pessoas com deficiência”, conta Angelita.

Antes da roda de leitura os alunos do Instituto de Cegos da Paraíba, fizeram a apresentação do Boi e, logo em seguida, veio a narração de Bumba Meu Boi, obra da Coleção. Após a ação, todos os presentes conversaram sobre o material e experimentaram os livros da coletânea.

Outro momento importante foi a performance dos alunos do curso de Instrumento Musical. Os estudantes interpretaram versos sobre a condição social das mulheres cisgêneros e transgêneros, denunciando o machismo e os preconceitos relativos à diversidade sexual, contra os quais estas minorias lutam diariamente. Em seguida, na mesa “Você pode ser o que você quiser!  Antônio Eduardo de Oliveira recitou uma poesia de sua autoria ”, conduzida pelo bacharel em Direito, deficiente visual e representante do Instituto dos Cegos da Paraíba, Robson Santos.

“Estamos conseguindo cada vez mais ocupar os lugares que nos são de direito. Aqui em João Pessoa, a acessibilidade ainda é muito precária. Onde existe respeito, existe acessibilidade”, finaliza, Robson. E a gente completa, onde existe respeito, existe inclusão.

Na foto, um grupo de pessoas estão dançando na apresentação da Dança do Bumba Meu Boi Na foto, várias pessoas reunidas em volta de uma mesa com os livros da coleção Regionais

Na foto, a articuladora Angelita Garcia faz a leitura da Obra Bumba Meu Boi Na imagem, Angelita mostra para um grupo os livros da Coleção Regionais

Fonte: IFBP, Instituto Federal da Paraíba