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Descrição da imagem: foto do Cristo Redentor iluminado na cor verde.
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Cristo Redentor fica verde em homenagem ao Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência

Nesta segunda-feira, 21, às 20h30, a estátua do Cristo Redentor, localizada no topo do morro do Corcovado, no Rio de Janeiro, recebeu iluminação verde para marcar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. A data foi instituída oficialmente em 14 de julho de 2005 pela Lei 11.133, mas já era lembrada desde 1982 por iniciativa de movimentos sociais. Seu objetivo é integrar o deficiente, seja ele auditivo, físico, visual e/ou mental, à sociedade, de forma igualitária e sem preconceitos.  Mesmo sem obter a integração ideal pretendida, é certo que alguns avanços foram experimentados nestes quinze anos. O Estatuto da Pessoa com Deficiência, lei 13.146 de julho de 2015, passou a criminalizar  práticas cometidas como, por exemplo, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua deficiência, abandonar em hospitais, clínicas de saúde, laboratórios ou se apropriar de seus rendimentos, bens ou patrimônio. 

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Almofadas em braille

A Costura do Imaginário e o Lar das Cegas da Associação de Cegos Louis Braille criaram juntas uma coleção de almofadas em braille com o desejo de transformar, inspirar e espalhar afeto, numa colaboração entre Cintia Caroline, Claudia Cleto, Eunice, Maria, Maria Cristina, Maria Martins, Nívia e Silvia Gherardi. Almofada Afeto com texto em braille no verso Um primeiro lote de 550 botões de cerâmica foi utilizado na confecção de capas de almofadas, camisetas,  bolsas, moletons e estandartes, gerando renda e oportunidade de trabalho para as mulheres com deficiência visual do Lar das Cegas. A marca utiliza várias formas dentro do design, para transformá-lo em produtos repletos de afeto, sempre com a base principal de serem acessíveis para aqueles que enxergam além do olhar. Todos os produtos possuem uma estampa em braille e parte das vendas é destinada a projetos que permitam o empoderamento e autonomia de pessoas com deficiência visual.  

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Mais um passo em direção a autonomia

Professora ajuda amigo deficiente visual a dar mais um passo em direção a autonomia. Tudo começou quando a Dra. Pnina Ari Gura, professora de engenharia mecânica e aeroespacial da Western Michigan University (WMU), colocando-se no lugar de um amigo deficiente visual, acabou por engajar seus alunos na busca de um novo equipamento que ofertasse autonomia e segurança, substituindo a bengala. A professora conta que ao acompanhar seu amigo, legalmente cego, observou que ele tinha dificuldade “em dobrar e navegar” com a bengala branca e resolveu ajudá-lo. Assim, após garantir financiamento ao projeto junto a WMU, a Dra. Phina se uniu a um ex-aluno, Justin Rittenhouse, e juntos criaram um colete que alerta o deficiente visual quando há um objeto próximo. O colete enviará um sinal ao celular, que informará a quantos metros de distância se encontra o objeto e se está acima, abaixo, ou ao lado. O projeto encontra-se ainda em fase de teste e melhorias. Agora o desafio é empregar os melhores esforços para que o colete tenha um preço acessível e para que todos aqueles que precisam possam fazer uso dele.

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Vagas para Bacharelado e Licenciatura na UFBA em EAD

A UFBA – Universidade Federal da Bahia – está abrindo 550 vagas em três curso de Graduação em EAD. São  duzentas (200) vagas para Bacharelado em Biblioteconomia distribuídas por 05 Polos, duzentas (200) vagas para Licenciatura em Matemática, em 05 Polos e cento e cinquenta (150) vagas para Licenciatura em Teatro em 05 Polos. A forma de ingresso é diferenciada e voltada para servidores do campo da Educação, além de professores da Educação. O bacharelado em Biblioteconomia visa o público que tenha obrigatoriamente concluído o Ensino Médio e, preferencialmente atuaram, atuam ou podem vir atuar em ambientes voltados à informação. Polos: Brumado, Ilhéus, Juazeiro, Santo Amaro e Vitória da Conquista. A licenciatura em Matemática tem como público-alvo professores da rede pública e candidatos que tenham concluído o ensino médio e tenham realizado o ENEM em qualquer edição entre 2015 a 2019. Polos: Guanambi, Irecê, Itaberaba, Juazeiro e Santo Amaro Licenciatura em Teatro com Polos em Alagoinhas, Feira de Santana, Irecê, Juazeiro e Vitória da Conquista Os cursos de Graduação a Distância serão oferecidos a partir de outubro de 2020, com a realização de atividades presenciais obrigatórias, desenvolvidas nos Polos de Apoio Presencial ou em espaços específicos no município do polo sede. As atividades presenciais envolvem encontros, atividades complementares, laboratório, oficinas, tutoria, avaliações, dentre outras que podem ser desenvolvidas em qualquer dia da semana, inclusive aos sábados e domingos. Inscrições até dia 31/08 pelo site htpps://ingresso.ufba.br/ead Dúvidas podem ser esclarecidas pelo email [email protected]

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Curso de Inglês Gratuito à Distância

O Grupo Retina São Paulo está com inscrições abertas para o curso de Inglês gratuito à distância para pessoas com deficiência visual, com ênfase na conversação. As aulas serão ministradas virtualmente, com carga horária de 2 horas semanais, totalizando 20 horas ao final do módulo. Não perca a chance de aprimorar seu inglês! Pré-requisitos: Ter conhecimento prévio no nível básico Inscrições até dia 30 de agosto de 2020 Para se inscrever e participar do processo seletivo, envie seu nome completo e telefone para o email [email protected]

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USP oferece curso online e gratuito de Libras

O Departamento de Linguística da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) oferece 10 videoaulas como forma de a população ter contato com a linguagem de sinais. As aulas de libras têm conteúdos relacionados à surdez, à educação dos surdos e cultura surda. O curso totalmente gratuito está disponível na plataforma da universidade, sob a coordenação do professor Felipe Venâncio Barbosa, doutor do Departamento de Linguística da USP. Não é necessário fazer inscrição, basta acessar a plataforma Stoa,  aproveitar o conteúdo disponível e fazer o download dos materiais.

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Descrição da imagem: banner virtual na cor azul com o texto "2º Encontro Nacional da Rede de Leitura Inclusiva". Nas extremidades há pontos coloridos interligados.
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Ler, incluir e transformar: quando os nós em rede se conectam e promovem a leitura para todos

Há 73 anos atrás, nascia um sonho em páginas brancas cheias de pontinhos. Ele foi crescendo e se transformando em sons e em tecnologias. Em 2019, ele já é uma realidade e congrega muitos outros sonhadores pelo Brasil, conectados pela Rede Nacional de Leitura Inclusiva. Para conhecer mais sobre essa história, a Fundação Dorina Nowill para Cegos realiza o  2º Encontro Nacional de Leitura Inclusiva, reunindo os parceiros promotores da leitura das cinco regiões brasileiras que participam deste projeto iniciado em  2013. O evento é gratuito, acontece entre os dias 7 e 9 de agosto em São Paulo e traz em sua programação o lançamento da pesquisa Cenários sobre a Leitura Acessível no Brasil, desenvolvida junto com o Instituto Data Folha, além de painéis inspiradores sobre leitura inclusiva em diferentes territórios e conversas com escritores convidados. A programação aberta ao público será no dia 9 de agosto e terá a presença do ator e escritor Lázaro Ramos numa manhã de “Conversas sobre os meus livros” com editores, bibliotecários, educadores e leitores. Participe! Contamos com a sua participação neste diálogo! Clique AQUI  para se inscrever. As vagas são limitadas! Programação: – Abertura poética com Kiara Terra Kiara é escritora e contadora de histórias, criou o método de narração chamado A História Aberta, que são narrativas colaborativas que estimulam a participação do público. – Apresentação da Rede Nacional de Leitura Inclusiva Uma sociedade inclusiva em construção, com Angelita Garcia e Perla Assunção, da Fundação Dorina Nowill para Cegos. – Painel 1: Gente que põe a Leitura Inclusiva na Agenda Pública Experiências das Redes de Leitura Inclusiva de Sergipe, com Maria Caitana Lima Mota; e Santa Maria (RS), com Maria Esther Gomes de Souza. – Painel 2: Gente que faz histórias e livros inclusivos “Nega Lilu”, editora goiana que já nasce inclusiva, apresentada pela sua criadora, Larissa Mundim. – Painel 3: Gente que escreve pra gente, que adora ler! Bate-papo com o ator e escritor Lázaro Ramos e parceiros das Redes de Leitura Inclusiva do Acre (Héliton Nascimento) e da Bahia (Ednilson Sacramento) Onde: Hotel Radisson Paulista. Alameda Santos, 85, Paraíso. Quando: 9 de agosto de 2019, sexta-feira, das 8h30 às 12h. Acessibilidade: O evento contará com intérpretes de Libras e audiodescritores.

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imagem para demonstração.
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Leitura para todos: Portal Dorinateca ganha 32 títulos inéditos

Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, White Martins e Fundação Dorina apresentam o projeto Leitura para Todos, que produziu 32 novos títulos destinados ao portal Dorinateca, a biblioteca virtual da Fundação Dorina. A plataforma, que é exclusiva para pessoas com deficiência visual e instituições ligadas a esse público, disponibiliza livros gratuitos em formatos acessíveis. Além de audiolivros, o catálogo inclui obras para impressão em Braille e no formato digital acessível Daisy. Confira a relação dos 32 títulos adicionados ao acervo: Alta Traição: um mistério de Cléo e Levesque, de Norah McClintock Werworld: ninho de serpentes, de Curtis Jobling Mário, Otávio: cartas de Mário de Andrade a Otávio Dias Leite (1936-1944) Minha vida de menina, de Helena Morley Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva Viva como você quer viver, de Eduardo Shinyashiki Xeque-mate, de Fausto de Sanctis Viva e deixe morrer, de Ian Fleming Goldfinger, de Ian Fleming A coroa, de Kiera Cass Eu estive aqui, de Forman Gayle Aquele estranho colega, o meu pai, de Moacyr Scliar Um homem irresistível, de Danielle Steel O Brasil como problema, de Darcy Ribeiro Guerreiros não nascem prontos, de José Luiz Tejon Megido História da educação: de Confúcio a Paulo Freire, de Claudino Piletti e Nelson Piletti Nudez mortal, de Nora Roberts Lua nova, de Stephenie Meyer Urupês, de Monteiro Lobato O rancho, de Danielle Steel O turno da noite, volume 3 – O livro de Jó, de André Vianco De volta ao jogo: Uma aventura não oficial de Minecraft, de RezendeEvil Marca do caos, de Sylvia Day Nó na garganta, de Mirna Pinski Lenora, de Heloisa Prieto O gato preto, de Edgar Allan Poe Histórias dos Maori: um povo da Oceania, de Claire Merleau-Ponty Histórias dos Sugpiaq: um povo do Alasca, de Claire Merleau-Ponty Neste instante: espírito de Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier O que é fascismo? E outros ensaios, de George Orwell Sapiens: Uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari Os 7 minutos, de Irving Wallace

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Descrição da imagem: foto de mulher segurando microfone na altura da boca de uma moça que tateia papel em branco. À frente delas há um grupo de pessoas sentadas em cadeiras universitárias.
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A vida imita a leitura: Conheça histórias para todos e sobre todos

Que jeito melhor de falar sobre leitura acessível do que com histórias de inclusão? Foi o que se leu e se ouviu na 3ª edição das Olimpíadas de Leitura Inclusiva, uma iniciativa do Colégio Vicentino Padre Chico, referência em educação inclusiva de pessoas videntes e com deficiência visual na capital paulista. A ideia partiu de Ana Maria Rosalini, coordenadora pedagógica do colégio há quatro anos. “Todos me chamam de Rosalini, porque o nome da diretora também é Ana Maria.”, conta ela, risonha. A competição acontece anualmente desde 2016 e envolve todo o colégio, do infantil ao Ensino Fundamental. “Todos participam como conseguem, lendo em tinta ou em Braille, recitando parlendas ou poesias.”, explica Rosalini. A olimpíada é dividida em três etapas. Primeiro, Rosalini e a professora de português Luciana Ruiz visitam as turmas e pedem que os alunos apresentem algum livro que estejam lendo. As duas desempenham o papel de jures e escolhem três alunos de cada turma para a semifinal, realizada no auditório do colégio, etapa em que os finalistas se apresentam para o resto da escola. O mesmo acontece na grande decisão, na qual os Ensinos Fundamentais I e II recebem cada qual três vencedores: um vidente, um com baixa visão e um cego – não existe 1º, 2º e 3º lugar. Nas duas etapas finais da 3ª edição, ocorridas nos dias 11 e 14 de setembro de 2018, foi proposto que os alunos que já sabiam escrever lessem histórias de sua própria autoria. Na semifinal, o texto devia falar sobre o primeiro dia da criança no colégio, e na última etapa coube a cada aluno apresentar uma breve biografia de si mesmo. Para Luciana, que leciona há 15 anos no colégio mantido pelo Instituto de Cegos Padre Chico (este completou 90 anos de existência em 2018), as Olimpíadas representam não apenas mais um estímulo à leitura (todos os dias, os estudantes leem por 15 minutos um título escolhido por eles na biblioteca), como também um registro da inclusão na prática. “Quando cheguei ao colégio, ainda só tínhamos alunos com deficiência visual. Em 2010 foi que começamos a receber estudantes videntes e, além da alegria de acompanhar essa transição, os relatos lidos por eles são de crianças que realmente gostam da escola na qual estudam.”, diz Luciana. Gotas de alegria As Olimpíadas de Leitura contam com o apoio da Rede Nacional de Leitura Inclusiva da Fundação Dorina. O Grupo divulga a iniciativa entre seus parceiros e realiza a doação de materiais que podem se tornar prêmios para os vencedores – como livros em formato acessível. Além disso, membros da Rede sempre são convidados a assistir à competição ou a atuar junto à comissão julgadora. Foi o caso de Adriana Rafael, bibliotecária e integrante do Comitê de Inclusão do Senac Tiradentes. Ela passou a fazer parte da Rede após uma visita à Fundação Dorina, em 2015. “Queríamos incorporar a

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Descrição da imagem: foto de pessoas sentadas em roda. Duas delas estão de pé.
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Educação e Cultura POP: Como surge o desafio da inclusão na prática

Quando eu, Lucas Borba, fui convidado a participar de uma mesa da 4ª Festa Literária de Cidade Tiradentes (FLICT), na capital paulista, realizada em 28 de outubro, fiquei honrado. Afinal, além do reconhecimento implícito no convite, falar um pouco do meu trabalho como youtuber no canal Câmera Cega, voltado ao cinema e à cultura pop sob a perspectiva de um jornalista com deficiência visual, foi uma grande oportunidade não apenas de acompanhar pessoalmente uma ação articulada em parceria com a Rede de Leitura – tanto como correspondente da Fundação Dorina quanto como produtor independente de conteúdo -, mas também de compartilhar ideias e experiências com o público e com meus colegas de mesa. Mais do que isso, porém, ao final do encontro senti-me desafiado a ir ainda além. Sim, porque é fascinante como as palavras “acessibilidade” e “inclusão” trazem na prática um novo desafio quando menos se espera, inclusive expondo que o sujeito a ser incluído também deve saber incluir – ou, pelo menos, buscar como fazê-lo. Desafio que ressurgiu a mim personificado em uma de minhas colegas de mesa, a quadrinista com deficiência auditiva Juliana Loyola, mais conhecida como Ju Loyola. Ela trabalha com o que chama de “narrativas silenciosas”, já que não possuem uma única palavra. As histórias são contadas única e exclusivamente com o poder das imagens, das expressões faciais e gestos dos personagens. Nem sempre foi assim, no entanto. Juliana nasceu com deficiência auditiva devido à rubéola da mãe na gravidez. A limitação auditiva, entretanto, só foi descoberta quando ela tinha três anos de idade. A paixão por quadrinhos e mangás surgiu ainda na infância, com clássicos que iam de Turma da Mônica a Mandrake e Fantasma. Quando a busca profissional bateu à porta, tentou direcionar seu talento com os traços para o desenho de próteses dentárias, mas ao interagir com alguns quadrinistas teve certeza do que tinha nascido para fazer. Por ser o que se chama de “surda oralizada”, que aprendeu a se comunicar por leitura labial – embora também o faça na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) -, Juliana começou esboçando quadrinhos com balões de diálogo, mas se deparou com o complexo universo de conjugações verbais da língua portuguesa, bem diferente da estrutura mais simples de frases em LIBRAS. Foi então que ocorreu à autora não apenas trabalhar com seu mundo silencioso, mas ampliar ainda mais o público que poderia ler suas obras, com uma forma de expressão que perpassa idiomas e culturas. O trabalho de Juliana já acumula prêmios importantes a nível internacional e sua meta é ser publicada em uma editora japonesa. O desafio ao qual me referi no começo deste artigo surgiu de repente, enquanto minha colega e eu falávamos de nossos trabalhos e respondíamos às eventuais perguntas do público – ela apoiada por Nathali, sua irmã e intérprete. Ocorreu-me que, embora nós dois presidíssemos a uma mesa acerca da produção

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Descrição da imagem: foto de 11 pessoas perfiladas, de mãos dadas e braços pra cima. Elas estão num palco.
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Cultura Acessível: Descubra o papel da arte na luta pela inclusão

“Acredito que a verdadeira inclusão só acontece quando os dois lados da moeda trabalham para isso, quem deve incluir e quem deseja ser incluído.”   As palavras são da goianiense Fátima Eugênio, uma pessoa com deficiência visual que desde a infância foi apaixonada pelo teatro e, por meio dessa arte, inclui os outros e a si própria. Ela iniciou os estudos no já extinto Instituto Artesanal dos Cegos, um colégio interno como aquele no qual concluiu o Ensino Fundamental após viajar para a capital gaúcha, o Instituto Santa Luzia Fátima só retornaria à Goiânia para iniciar o Ensino Médio, ingressando em uma escola regular, com alunos videntes. Após graduar-se em Rádio e TV, prestou concurso público e, atualmente, divide seu tempo entre o trabalho na Secretaria Estadual de Saúde e as aulas de teatro, canto e violão pela Associação dos Deficientes Visuais do Estado de Goiás (ADVEG). No que diz respeito ao teatro, Fátima frequenta dois grupos. Um possui apenas integrantes com deficiência visual e, no outro, chamado Vai Idade – não por acaso, já que é exclusivo para pessoas a partir dos quarenta anos -, ela é a única nessa condição. “Interpreto, inclusive, personagens sem deficiência visual, o que rompe barreiras e torna tudo mais natural quando se fala em teatro.”, explica. A atriz esteve presente ao encontro da Rede de Leitura dedicado ao tema Acessibilidade Cultural, no Teatro Basileu França do Instituto Tecnológico de Goiás (ITEGO), em 23 de outubro. “Conheci a Rede durante um evento em São Paulo e foi um grande prazer intermediar o contato entre a representante da Fundação Dorina e a coordenadora do meu grupo de teatro, a Joana d’Arc, para um encontro tãoproveitoso em discussões sobre o acesso do público com deficiência às programações culturais.”, declara Fátima. Isso mesmo, Joana d’Arc, igual a heroína francesa que foi queimada na fogueira. “Minha mãe não conseguia engravidar e, por influência da minha avó, que era devota de Joana d’Arc, ela prometeu que se tivesse uma menina daria esse nome à criança. Nem preciso de um nome artístico.”, brinca Joana, que cresceu no interior de Goiás e tem a avó como principal referência na arte de contar histórias. A paixão por boas narrativas e, mais do que isso, pelo conto oralizado, a levou ao curso de letras, à contação de histórias e ao teatro. A coordenadora lembra como encarou a chegada de Fátima ao Vai Idade. “Queria que ela se sentisse integrada ao grupo e ele a ela. Hoje, as pessoas nem percebem que ela é cega nas apresentações.”, afirma. Do livro ao leitor Quem também esteve presente ao encontro, que incluiu um bate-papo sobre audiodescrição e leitura acessível, foi a jornalista e escritora Larissa Mundin, criadora da editora independente Nega Lilu. Durante a tarde, a autora contribuiu com a segunda parte do evento na Biblioteca Braille José Álvares de Azevedo. Larissa relata que a editora

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Descrição da imagem: foto de quatro pessoas sentadas, olhando para uma mulher de pé. Ao lado direito há uma mesa com um cartaz escrito "Aqui tem Agosto das Letras 2018 - Festival de Leitura da Paraíba"
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Encontro em Paraíba: Conheça histórias de protagonismo pela inclusão

“Temos que mostrar as nossas capacidades.”, diz o paraibano Robson Silva acerca do universo da pessoa com deficiência e, mais especificamente, da deficiência visual. Não por acaso, já que nasceu com retinose pigmentar e, aos quinze anos, perdeu completamente a visão. A retinose hereditária também afetou seus três irmãos. Natural da cidade interiorana de Bananeiras, o quarteto encontrou dificuldades na escola. “Eu sabia responder às questões, mas assinalava no lugar errado e o professor não entendia”, lembra Silva. O problema persistiu até os anos 2000, quando ele completou quinze anos. “Fiquei totalmente cego e acompanhava as aulas só de ouvido, enquanto respondia às questões oralmente. Era horrível, mas daí viram que eu sabia as respostas e finalmente comecei a avançar nos estudos.”, relata. O atraso fez com que, em 2008, o rapaz decidisse migrar sozinho para João Pessoa. Lá, além de ser instruído no sistema de leitura e escrita Braille, no uso da bengala e no universo da informática por meio do Instituto dos Cegos da Paraíba Adalgisa Cunha (ICEPAC), completou o Ensino Médio, prestou vestibular e graduou-se em direito pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Hoje, Silva é Secretário Geral e membro da Diretoria Jurídica da Associação Paraibana de Cegos (APACE). Ele é casado e, nas horas vagas, pratica goalball, uma modalidade esportiva específica para pessoas com deficiência visual. Integrante do Grupo de Trabalho (GT) do seu Estado pela Rede Nacional de Leitura Inclusiva, Silva foi um dos ministrantes do 3º Seminário de Acessibilidade da Paraíba, realizado na capital em 31 de agosto, no Espaço Cultural José Lins do Rego, e que contou com a presença de estudantes de áreas distintas, professores, bibliotecários, do Promotor do Ministério Público Estadual da Paraíba e da Promotoria do Cidadão. Leitor voraz, o Secretário conta que estuda o Braille até hoje. “Para um jovem ou adulto que perde a visão, é mais difícil aprender a leitura tátil do que para uma criança com deficiência visual, mas me dediquei muito e, com o apoio de um grande amigo que também é cego, consegui dominar o código.”, explica. Silva ainda destaca o papel da era digital para a leitura acessível e a importância de eventos como o Seminário. “O Braille é indispensável para a alfabetização de crianças com deficiência visual, mas a leitura digital amplia e facilita o acesso à essa forma única de informação e cultura. E é incrível participar de um evento como esse, com pessoas que tanto lutam pela causa.”, afirma. No dia anterior ao Seminário, ocorreu também o evento Acessibilidade na Praça, graças ao intenso trabalho conjunto de mobilização dos parceiros locais da Rede. A iniciativa ocorreu na Praça da Paz, que é a mais movimentada de João Pessoa, e teve como objetivo trazer à tona, de um jeito divertido – mas, ainda assim, provocativo -, a questão da falta de acessibilidade que geralmente há nesses locais à pessoa com deficiência

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Descrição de imagem: foto de duas mãos sobre uma página em braille.
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Diversidade e inclusão: Descubra a importância da atitude no acesso à leitura

Quando falamos em acessibilidade, podemos dividi-la em algumas categorias, tais como: Acessibilidade Arquitetônica, Comunicacional, Atitudinal, entre outras. Esta última, porém, é a base para as demais, já que a atitude deve nortear ações de inclusão em todos os segmentos, inclusive no acesso à leitura. E foi a atitude que levou a pedagoga Juliana Gaudêncio a se especializar na educação de pessoas com necessidades específicas. Desde 2015, ela trabalha como analista no Setor de Educação Inclusiva do SENAC, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Este ano, assumiu a coordenação da área. “A inclusão deve ir além do cumprimento de legislações. Temos de abranger um universo onde cada um seja envolvido no respeito à diversidade, porque diversos somos todos nós.”, afirma a pedagoga. Foi com esse ideal em vista que Juliana mediou a realização de uma oficina promovida pela Rede de Leitura da Fundação Dorina Nowill para Cegos em uma das unidades do SENAC na capital mineira, em 12 de julho. Com o objetivo de promover um diálogo sobre leitura inclusiva, o encontro contou com mais de 30 participantes e incluiu bibliotecários, professores e colaboradores de outras unidades da instituição. “Temos muitos alunos com deficiência visual. O trabalho em rede que foi apresentado nos fez perceber o quanto estas parcerias são benéficas para o acesso à leitura nos diferentes espaços e, consequentemente, para a educação.”, relata Juliana. Inclusão na prática O trabalho em rede ao qual Juliana se refere acontece a partir de grupos parceiros em diferentes Estados do país. Essa dinâmica já é bem conhecida de uma das pessoas presentes na oficina: a Assistente Social Alice Meireles, parceira da Rede desde 2015. Há 11 anos, ela integra a equipe da Associação de Cegos Luiz Braille de Belo Horizonte, anexa ao Lar das Moças Cegas. Alice também é amiga de surdos e a instituição aonde ela trabalha atende pessoas cegas e com baixa visão que podem ter outras deficiências (intelectual, física, etc.). Por isso, a Assistente Social percebe na prática o quanto a sociedade ainda deve evoluir ao pensar em acessibilidade. Segundo ela, a leitura digital é um grande avanço, já que muitos cegos não leem Braille, mas ela acredita que ainda temos um longo caminho pela frente. “Quando falamos em leitura, temos de pensar no público surdo, que tem dificuldade com o português, em autistas e em outros casos, que exigem formas alternativas de comunicação. Sem falar em um calçamento ou acesso adequado para todos que desejam ir a uma biblioteca.”, diz Alice.

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Descrição da imagem: foto de uma mulher falando ao microfone. Atrás dela, um telão com o logotipo da Rede Nacional de Leitura Inclusiva.
Santa Catarina

Membros da Rede Nacional de Leitura Inclusiva se encontram na nona edição do SENABRAILE

Qual o papel do bibliotecário na sociedade? Essa é a pergunta que impulsiona a atuação de Adriana Ferrari, presidente da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários (FEBAB), inclusive no ativismo pelo acesso à leitura. A mesma pergunta que a inspirou, por exemplo, a idealizar e coordenar o projeto da Biblioteca de São Paulo, que abre em finais de semana e feriados. “Quando falamos na leitura para todos, além de um acervo gratuito e em formatos acessíveis temos de pensar nas condições de deslocamento do público até esse material.”, diz a bibliotecária. Foi com naturalidade, portanto, que Adriana esteve à frente da nona edição do Seminário Nacional de Bibliotecas Braille (SENABRAILLE), promovido pela FEBAB nos dias 12 e 13 de julho, em Florianópolis, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Iniciado em 1995, o SENABRAILLE busca a troca de experiências e a apresentação de projetos de bibliotecários e educadores, com ênfase no atendimento a pessoas com deficiência visual. Segundo Adriana, o evento conseguiu ser mais abrangente do que em edições anteriores. “Em termos de conteúdo, o encontro correspondeu às expectativas, com apresentações e discussões inspiradoras e sobre deficiências distintas, além da visual.”, afirma a bibliotecária. Uma das apresentações do seminário foi de uma das representantes da Rede Nacional de Leitura Inclusiva da Fundação Dorina Nowill para Cegos, que falou das ações realizadas em parceria com os Grupos de Trabalho (GT’s) de diferentes regiões do país. Representantes dos GT’s também marcaram presença e confraternizaram em um espaço paralelo ao evento. “A reunião dos GT’s permitiu não apenas um primeiro contato presencial entre os integrantes, mas, também, que eles compartilhassem as realidades vivenciadas por cada um em seus espaços de atuação.”, explica Perla Assunção, que apresentou a Rede de Leitura durante o SENABRAILLE. Um desses integrantes é o pedagogo com deficiência visual José Carlos, o mais novo membro da Rede. Presidente do Conselho Escolar do Centro de Educação de Jovens e Adultos de Florianópolis e dono do primeiro cão guia do Estado de Santa Catarina, em 1997, Carlos sabe da importância do trabalho conjunto pela inclusão e pelo acesso à leitura. “Fico honrado em integrar a Rede de Leitura. Acredito que uma causa como a nossa precisa dessa articulação a nível nacional, mas que, ao mesmo tempo, fortalece cada membro em sua região.”, declara.

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Descrição da imagem: foto de sete pessoas de pé, olhando pra frente e sorrindo. Duas delas seguram bengalas. Na parede atrás deles há um retrato em preto e branco de Dorina Nowill sorrindo.
Acontece

A história de uma jornada pelo acesso à Leitura

Graças ao projeto Leitura Digital Acessível, realizado pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura e Fundação Dorina Nowill para Cegos, com patrocínio da White Martins e Fox Conn, a Rede Nacional de Leitura Inclusiva pôde escrever mais este importante capítulo na história da busca por um mundo cada vez mais inclusivo – o grande ideal de nossa presidente emérita e vitalícia, Dorina de Gouvêa Nowill. Visando ampliar o acervo acessível de bibliotecas e escolas públicas do Estado de São Paulo, o projeto permitiu a produção e distribuição de mil kits com 12 obras – 3 títulos infantis, 3 infanto-juvenis, 3 Best-sellers e 3 histórias em quadrinhos – no formato Daisy, totalizando 12 mil livros. As obras nesse formato digital tornam possível o acesso da pessoa com deficiência visual – cega e com baixa visão – a materiais compostos não apenas por textos, mas, também, por imagens, gráficos, tabelas, já que permitem a inserção de recursos de apoio, como descrições de imagens e de arquivos de áudio, além de contar com opções de ampliação e contraste da letra. E para que esse material seja devidamente apreciado por muitos leitores, representantes da Rede de Leitura realizaram oficinas gratuitas de capacitação em 10 cidades do Estado de São Paulo, destinadas, principalmente, a bibliotecários e educadores da rede pública, mas abertas a todos. Além de propor uma sensibilização sobre a importância do acesso à leitura e da inclusão social, as oficinas permitiram a interação dos participantes com o kit de livros acessíveis e com o programa de leitura digital desenvolvido pela Fundação Dorina para o formato Daisy, o DDReader, disponível para computadores e smartphones. A resposta do público ultrapassou as expectativas, já que alguns encontros também contaram com participantes de cidades próximas. Com isso, foram 35 municípios beneficiados. Segundo Angelita Garcia, uma das representantes da Rede de Leitura, as oficinas demonstraram a importância da capacitação a profissionais realmente interessados na leitura acessível e na causa da inclusão. “Levando-se em conta, por exemplo, o número de pessoas com deficiência visual que não aprenderam o sistema de leitura e escrita Braille, um projeto como esse possibilita um acesso mais democrático aos livros e o público das oficinas ficou motivado a se apropriar do DDReader, tanto para uso próprio quanto para disseminar esse recurso em seus espaços de atuação”, afirma. Para divulgar o projeto, as representantes da Rede de Leitura também visitaram quatro organizações que atendem pessoas com deficiência visual: o Lar das Moças Cegas, de Santos; o Instituto de Cegos, de Presidente Prudente; a Para-DV, de Araraquara; e a Fundação do Livro, em Ribeirão Preto. Essas interações geraram importantes desdobramentos para a Rede, como convites para integrar eventos e desenvolver novas ações em prol da leitura inclusiva. Podemos dizer, portanto, que esta jornada pelo acesso ao conhecimento foi um grande processo e, ao que tudo indica, foi só mais um

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Biblioteca Maria Firmina dos Reis inaugura acervo acessível

Casinhas acolchoadas e uma grande árvore baobá esculpida em madeira, típica do continente africano, embaixo da qual, tradicionalmente, os mestres griôs sentam para contar histórias. Estes elementos se destacam na ambientação da Biblioteca Maria Firmina dos Reis, que fica em Cidade Tiradentes, na capital paulista, uma região marcada pela luta histórica por habitação – abriga o maior complexo de conjuntos da América Latina, beirando a 40 mil unidades – e é composta por uma população predominantemente negra e nordestina. Foi mantendo a decoração simbólica que, no dia 29 de junho, a biblioteca comemorou mais uma conquista para a comunidade, com a inauguração de um acervo acessível de livros em Braille e em fonte ampliada para pessoas com deficiência visual. O material foi doado pela Fundação Dorina Nowill para Cegos, que enviou uma representante da Rede de Leitura Inclusiva e um de seus comunicadores ao evento. Parte do público beneficiado pelo acervo frequenta o Centro Especializado em Reabilitação (CER, II Guaianases) – que atende pessoas com deficiência visual e auditiva – e constituiu a maioria dos participantes da inauguração. Também foram eles os organizadores de um Sarau Acessível para a ocasião, que incluiu a leitura em Braille e a declamação de poemas, bem como apresentações de dança e música ao som da Escaleta de dona Iolanda, com modas típicas do folclore nordestino, como a clássica Asa Branca. Durante todo o espetáculo e mesmo no bate-papo que se seguiu, era palpável a alegria e o contentamento daquela gente com histórias tão adversas, de luta e superação. Histórias como a de José Nascimento, o Seu Zeca, que a todo instante vibrava e aplaudia os presentes com grande entusiasmo. Seu Zeca possui deficiência auditiva parcial e, no dia do evento, esqueceu de levar o aparelho auditivo, o que não o impediu de acompanhar as apresentações e falas dos outros convidados. Há 10 anos, ele migrou do nordeste para a capital paulista junto da irmã, que possui deficiência visual, em busca de melhores condições de vida. “A união faz a força!”, reafirmou durante sua fala no bate-papo, referindo-se à troca de conhecimentos entre os frequentadores do CER. “Quem sabe o Braille ajuda a ensinar quem ainda não sabe, e o mesmo vale para outras atividades, como o crochê e a música”, explica Seu Zeca. Para a coordenadora da Biblioteca, Charlene Lemos, o evento representa um passo fundamental para um espaço público de acesso à informação e à cultura. “Nosso objetivo é atender a todos os públicos. Sabemos que ainda existem desafios pela frente, mas, com a inauguração desse acervo, começamos a suprir uma importante demanda local”. Charlene cresceu nas imediações do espaço e relembra que, em 2017, recebeu pela primeira vez uma visita dos alunos do CER. “Iniciamos um programa de cultura quinzenal com o grupo, mas não tínhamos livros com acessibilidade. Foi então que entrei em contato com a Fundação Dorina e expus a

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Descrição da imagem: foto de um grupo de 20 pessoas sentadas em um semicírculo. À frente deles há uma mulher de pé e um telão com o logotipo da Fundação Dorina.
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Da escola à Biblioteca

Essa era uma rota percorrida diariamente por Eliana Hashimoto, 46, durante a infância. De Agatha Christie a Sherlock Holmes, devorava um livro policial atrás do outro. “Eram meus preferidos. Na época, livros também eram muito baratos e vendidos nas bancas de jornal. Eu comprava todos”, relembra ela. Natural da cidade de Cajati, Eliana dedicou-se à enfermagem até os 29 anos de idade, quando foi afastada da profissão devido a um diagnóstico de retinose pigmentar. Sua visão foi diminuindo aos poucos, até estacionar. Foi assim que ela passou a se enquadrar entre os cerca de 6 milhões de brasileiros com baixa visão. Mesmo aposentada, porém, Eliana seguiu mais ativa do que nunca, sempre envolvida em ações de militância pela inclusão da pessoa com alguma deficiência – incluindo a visual. Tampouco abandonou o contato com os livros. Ela conta que, de início, a leitura se tornou um problema. “Consigo identificar letras grandes, mas elas não são mais como antigamente, têm muitos detalhes e depois de algumas páginas fico bem cansada”, explica. A solução apareceu quando Eliana, por meio da Associação Beneficente São Lucas, descobriu o audiolivro ou livro falado, com um acervo que incluía títulos produzidos pela Fundação Dorina Nowill para Cegos. “De início, achei difícil me concentrar nas histórias apenas ouvindo, mas fui me acostumando e hoje escuto um depois do outro”, afirma. Foi por isso que, ao saber da oficina sobre leitura digital acessível que a Rede de Leitura Inclusiva da Fundação Dorina promoveria na cidade de Bragança Paulista, em 15 de junho, com o apoio da Secretaria de Cultura e Turismo, Eliana não deixou de comparecer. Chamou a atenção da leitora o predomínio de educadores presentes no evento, bem como a apresentação do programa de leitura acessível criado pela Fundação Dorina, o DDReader. “Acredito que a oficina foi destinada ao público certo. Além do debate sobre o acesso à leitura para todos, penso que o DDReader supre uma demanda de estudantes com deficiência visual, que precisam marcar e buscar trechos de textos longos, recursos que ainda não encontramos de forma tão acessível em programas tradicionais”, observa ela. Um dos educadores presentes à oficina foi a pedagoga Cecilia Jorge, 59, que atende alunos com deficiência visual na Associação São Lucas e foi quem convidou Eliana para o encontro. Cecilia, que também atua com outras deficiências na Rede Municipal, trabalha desde Orientação e Mobilidade com seus alunos, que visa a locomoção independente da pessoa com deficiência visual, até o ensino do sistema Braille e o estímulo de quem tem baixa visão. “É importante que o aluno com alguma parcela de visão aprenda como utilizá-la da melhor forma possível. No caso da leitura, geralmente começamos com letras maiores e, aos poucos, vamos reduzindo, de modo que a pessoa se adapte ao tamanho que realmente é ideal para ela”, explica a pedagoga. Cecilia recebeu um convite da Secretaria de Cultura para a oficina

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Descrição da imagem: foto de um grupo de pessoas sentadas em um semicírculo. À frente deles há uma mulher de pé.
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De um castelo medieval À Mogi-Mirim: Contador de histórias participa de oficiina sobre literatura acessível

História e arte povoam o cotidiano do pedagogo Almir Rogério Ferraz, 35. Ele é Coordenador Pedagógico na Escola Estação Municipal de Apoio ao Atendimento Integral à Criança (EMAIC), pela Rede Municipal de Pirassununga. A escola desenvolve atividades recreativas e lúdicas para alunos da Rede, como teatro, dança e contação de histórias. Um dos atrativos da Estação é o EMAIC-Castelinho, construção de 80 anos que imita um castelo medieval. É nesse ambiente que Ferraz também desempenha sua formação como ator. “Adoro a relação humana que a educação envolve e um bom exemplo disso é interpretar a leitura de uma história”, declara o pedagogo. Foi essa relação com os livros que levou Ferraz até a oficina sobre Leitura Digital Acessível, promovida pela Rede de Leitura da Fundação Dorina Nowill para Cegos, em parceria com a Secretaria de Educação de Mogi-Mirim, cidade localizada a 87 quilômetros de Pirassununga. O ator conta que, além de interagir pela primeira vez com um livro acessível por meio do programa de leitura da Fundação Dorina, o DDReader, pôde debater sobre o acesso à informação e à cultura com pessoas inseridas em realidades profissionais distintas. “O público predominante na oficina era de educadores, cada um com as próprias ideias, vivências e dúvidas, mas também tivemos a presença de um produtor cultural, que agregou muito para a conversa com o seu ponto de vista.”, explica Ferraz. O produtor cultural ao qual o pedagogo se refere é Lucas Silveira Delfino, 28. Natural de Pirassununga, aos 18 anos Delfino mudou-se para a capital paulista afim de cursar publicidade. Em paralelo, dedicava-se à sua paixão desde a infância: o teatro musical. “Eu fazia cursos livres e assim fui acumulando bagagem. Em 2009, a escola de teatro onde eu estava resolveu abrir uma produtora e foi assim que iniciei minha profissão atual”, relata ele. Delfino retornou à cidade natal, onde, além de atuar como produtor, dedica-se à contação de histórias para crianças, como Ferraz. Foi um convite do pedagogo, aliás, que também levou Delfino à oficina da Rede de Leitura Inclusiva. Mesmo adepto da interpretação oral na contação de histórias, o ator destacou a importância de outros formatos além do audiolivro. “Ouvir uma história não tem preço, mas uma criança ou adulto com deficiência visual tem o direito de ler um livro sem uma interferência externa. Também adorei o livro no formato tinta-braille, porque além de alfabetizar ele aproxima crianças videntes e cegas”, observa Delfino, e acrescenta: “Leis como a LBI são louváveis para a acessibilidade, mas sempre existiram pessoas diferentes umas das outras, então só lamento que a inclusão ainda não seja um processo natural”. Leitura inclusiva Seja você uma pessoa com deficiência visual adepta do livro digital, em Braille ou do audiolivro, confira o portal de leitura da Fundação Dorina, o Dorinateca. Além de contemplar pessoas com deficiência visual, o espaço também é voltado a escolas, bibliotecas e associações, possibilitando até

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Descrição de imagem: foto de duas mãos sobre uma página em braille.
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Histórias de inclusão se encontram na 45ª Feira do Livro de Santa Maria

Seja em um filme, nas poucas linhas de um blog, jornal, revista ou mesmo ao longo das páginas de um livro, encontramos recortes narrativos da vida de alguém, de um certo episódio ou evento histórico, visando o que há de mais importante a ser dito. No caso deste texto, por exemplo, poderíamos dizer que o encontro das histórias do pedagogo com deficiência visual total, Cristian Sehnem, 42, e da Fundação Dorina Nowill para Cegos começou na ação da Rede de Leitura Inclusiva realizada no dia 8 de maio, com o apoio do Grupo de Leitura Inclusiva RS/Centro, durante a 45ª Feira do Livro de Santa Maria. A verdade, porém, é que uma história passou a fazer parte da outra ainda em 2001, quando Sehnem começou a trabalhar na Biblioteca Central da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), cidade onde residia na época. “Eu era responsável pelo acervo acessível, grande parte fornecido pela Fundação Dorina. Foi quando passei a conhecer e me aprofundar na leitura inclusiva”, lembra o educador. Em 2015, já atuando no Núcleo de Acessibilidade da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Sehnem participou de um seminário na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), durante o qual foi integrado a Rede de Leitura da Fundação Dorina e ajudou a articular o Grupo de Leitura na região de Santa Maria. “Desde então, fazemos pelo menos dois eventos de leitura inclusiva por ano aqui e, com ações como a realizada na Feira do Livro, a ideia é mostrar que a limitação não está nas pessoas com deficiências como a visual, mas, sim, no meio social”, explica o pedagogo. A ação na Feira incluiu uma série de atividades, como contação de histórias em formato acessível para crianças da Rede Municipal, uma exposição de equipamentos e materiais para acessibilidade (máquina Braille, lupa, sorobã, notebook com softwares para escrita e leitura, entre outros) e uma roda de conversa entre leitores com deficiência visual. Segundo uma das representantes da Rede de Leitura Inclusiva, Angelita Garcia, no ano anterior a ação foi realizada em um espaço paralelo ao da Feira. “Instiguei nossos parceiros em Santa Maria a investir em um passo além, para que pudéssemos falar da importância do acesso à leitura inclusiva no próprio evento e, este ano, eles conseguiram.”, diz Angelita. Escrevendo a própria história Não existem leitores sem escritores. Por sorte, existem pessoas como a também educadora Maria Esther Gomes de Souza, 45, que não deixa o mundo ficar sem boas histórias, incluindo a dela própria. Parceira do Grupo de Leitura na Secretaria Estadual de Educação, Maria é escritora e tem deficiência auditiva adquirida (surdez parcial). Em 1991, ela formou-se em Magistério de 1º a 5º ano e em Educação Especial em 1997. Desde então, trabalhou sempre com essa especialização na Rede Pública e em abrigo de menores. Também foi voluntária na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) por 20

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Descrição da imagem: foto de um homem manuseando um celular. Outro homem ao lado dele observa o aparelho.
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Os livros não incluem o mundo, quem inclui o mundo e os livros são as pessoas

Essa adaptação da famosa máxima do poeta Mário Quintana bem poderia ser de autoria da pedagoga Milena Bertoni Romera, 40, levando-se em conta o sentido que o termo “inclusão” possui para a educadora. Há 13 anos, Milena presta atendimento pedagógico especializado a crianças e adolescentes com deficiência visual associada ou não a outras deficiências, no Centro de Reabilitação Visual (CRV) de São José do Rio Preto, preparando os alunos para frequentar uma escola regular. “Existem escolas que acreditam que inclusão se resume a aprender a ler e a escrever, mas esquecem de estimular a autonomia e as relações interpessoais”, afirma a pedagoga. Milena já é parceira anual da Rede de Leitura da Fundação Dorina Nowill para Cegos e apoiou a oficina A Leitura Inclusiva e o Livro Digital Acessível Daisy, realizada na sede do CRV em 25 de maio. Ela acredita que programas como o DDReader, desenvolvido pela Fundação Dorina e apresentado na oficina, representam, justamente, o respeito à adversidade. “Ainda que o Braille seja indispensável para a alfabetização de crianças com deficiência visual, existe aquele público que perdeu a visão total ou parcialmente ao longo da vida e que precisa de formas alternativas de acesso à leitura. Além disso, comercialmente falando e também pensando no contexto universitário, o livro digital ou mesmo o audiolivro é mais viável do que o Braille”, explica. Adversidade também é uma palavra comum ao cotidiano da pedagoga Sirlei Maria Montes, 52. Ao contrário de Milena, porém, Sirlei é uma pessoa com deficiência visual total, em decorrência de um descolamento de retina, aos 14 anos de idade. Inspirada pela educadora Tânia Resende, resolveu dedicar a vida a ensinar pessoas em condição visual idêntica ou semelhante. Há 22 anos, ela atua tanto na rede estadual, prestando atendimento a crianças e jovens com deficiência visual em uma sala de recursos (atividade complementar ao ensino regular), quanto em âmbito acadêmico, lecionando pedagogia em duas faculdades. Enquanto educadora, Sirlei trabalha com múltiplas ferramentas para ajudar o aluno e desempenhar sua função com maior praticidade. Além do Braille, a pedagoga instrui os estudantes no uso do sorobã, um tipo de ábaco muito útil a pessoas com deficiência visual para cálculos matemáticos, e recorre ao computador tanto no caso de crianças ou jovens com baixa visão como para fazer anotações. Após interagir com o DDReader durante a oficina, Sirlei destaca que o programa é mais um agregador de possibilidades, já que contempla o público cego e com baixa visão simultaneamente. “Ser uma professora com deficiência visual é um desafio constante, porque o preconceito social ainda é grande e, a todo o instante, você tem que provar sua capacidade. Todo ser humano tem potencialidades e limitações e só precisa de um investimento nas suas competências.”, declara a educadora. Uma história real Além de contemplar a diversidade, as tecnologias também inspiram pessoas a apresentar novas ideias, inclusive em prol da leitura acessível, e

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demonstração
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Atividades sensoriais aproximam alunos com deficiência visual do universo literário

A literatura vai muito além das páginas de um livro. Ela afeta a mente e o espírito, estimula os sentidos e se molda a diferentes formatos e linguagens. Foi a partir dessa percepção que a equipe da Rede de Leitura Inclusiva da Fundação Dorina Nowill para Cegos, com o apoio do SENAC Tiradentes, SENAC ACLIMAÇÃO e Museu de Arte Sacra organizaram, no dia 27 de abril, um encontro com atividades sensoriais para alunos com deficiência visual do Colégio Vicentino Padre Chico. Promovido como parte da Semana SENAC de Leitura – uma ação desenvolvida em todas as unidades do SENAC do Estado de São Paulo e que, este ano, adotou como temática “Livros que viraram filmes” -, o encontro teve como foco o livro Capitães de Areia, publicado por Jorge Amado em 1939, e adaptado para o cinema pela neta, Cecília Amado, em 2011. Com essa proposta, a visita dos alunos começou com uma roda de conversa dedicada à obra de Amado. Em seguida, os estudantes foram conduzidos a uma sala com cerca de cinco metros quadrados, na qual um dos cenários do filme foi reconstruído para que os jovens com deficiência visual o explorassem com os demais sentidos. “Os alunos com algum resquício visual vendaram os olhos.”, explica a pedagoga e bibliotecária do SENAC Tiradentes, Adriana Rafael Pinto. Para a educadora, a parceria com a Fundação Dorina não é novidade, estando à frente de atividades anuais de inclusão entre as instituições desde 2015. “Eles cheiraram o perfume das rosas, tocaram composições de renda em alusão à saia típica das baianas e sentiram um chão de palha debaixo dos pés.”, conta Adriana. Para um dos estudantes do Colégio Vicentino Padre Chico, a experiência foi uma grande aventura. “A sala tinha tantos cheiros, sons e coisas pra tocar… Nunca tinha entrado em um lugar assim. Fui percebendo que tudo naquela sala fazia parte da história Capitães de Areia.”, relata. Além da visão A experiência dos alunos, porém, não terminou aí. Eles também visitaram o Museu de Arte Sacra, que abriga objetos religiosos de valor estético e histórico. Educador no museu há nove anos, Anderson Shimamoto foi um dos profissionais responsáveis por receber e guiar os estudantes durante o passeio. Como o acervo, que inclui pinturas, prataria e ornamentos diversos, não pode ser tocado em prol da preservação dos materiais, Shimamoto e os demais educadores descreveram as peças para os visitantes, além de situar cada uma historicamente. Não foi tudo, porém. “O museu possui maquetes e réplicas táteis de algumas peças e os alunos também puderam interagir com elas. Todos têm direito a uma experiência plena a partir das suas capacidades, é só uma questão de adaptar a proposta.”, declara Shimamoto.

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